Desfeito e despedaçado
Seus olhos não eram azuis, mas pareciam com o oceano
Numa mesa distante, um copo na mão, garrafa pela metade, longe da muvuca. Quando me deparei com...
De vez em quando todos os olhos se voltam pra ela
O cansaço me doía nos ossos, o peso do dia em meus ombros como um encosto vivendo em minhas...
O sol da Grécia não derrete minha mente
O sol úmido de dezembro atravessava a janela. Sentia o vapor da última tempestade e o prenúncio da...
— Sexo mal feito também é sexo?
— Aos olhos masculinos ou femininos?
— Além do orgasmo.
— Sexo mal feito é apenas uma má lembrança; aposto que você lembra mais das broxadas.
— As piores lembranças são mais vivas.
— Não sei se tudo é sexo: pode ser amor para os mais românticos, ou uma foda para os mais promíscuos.
— Levamos em conta a nomenclatura, então?
— As palavras usadas podem mudar o sentido; fui considerado rude por trepar.
— Você é rude, indiferente do que faz.
— Digo que uma trepada bem dada é mais marcante que uma noite de amor – até porque eu sei com quem estou fodendo, mas não sei quem eu amo.
— Um amor mal feito é considerado amor?
— Aos olhos fraternais ou românticos?
— Aos seus olhos castanhos, baixos e com olheiras.
— Amar é como o impressionismo: precisa ser visto de longe. De perto, é um emaranhado de tinta sem distinção.
— Vendo de perto, talvez seja paixão.
— Uma paixão mal vivida continua sendo paixão?
— Toda paixão é bem vivida, só que ela pode nos deixar em pedaços.
— Não preciso me apaixonar para acabar despedaçado; a vida já faz isso.
— E como chegamos a uma vida bem vivida?
— Transando, amando, se apaixonando e colando os pedaços?
— Aposto que seus pedaços estão perdidos entre paixões, amores e trepadas.
— Sobra algo de mim?
— Sobra um ser mal amado, cansado, entediado e sem saber o que faz da vida.
— E se a gente transar para dar sentido a isso tudo?
— Precisa ser um sexo bem feito, senão voltamos ao início do diálogo.
