Desfeito e despedaçado
Dalí perdido nos braços de Gala
– Minha boca está com um gosto estranho. – Deve ser a mistura da cerveja com minha menstruação. –...
Minha Cabeça Desmonta
Minha boca amargaAmarga à cervejaAmarga à buceta Amarga à ressaca Minha cabeça desmontaRoda pela...
O ópio tem um cheiro doce
— Hoje, eu senti o perfume que você usou na primeira vez que a gente saiu. — Isso faz quinze anos,...
— Sexo mal feito também é sexo?
— Aos olhos masculinos ou femininos?
— Além do orgasmo.
— Sexo mal feito é apenas uma má lembrança; aposto que você lembra mais das broxadas.
— As piores lembranças são mais vivas.
— Não sei se tudo é sexo: pode ser amor para os mais românticos, ou uma foda para os mais promíscuos.
— Levamos em conta a nomenclatura, então?
— As palavras usadas podem mudar o sentido; fui considerado rude por trepar.
— Você é rude, indiferente do que faz.
— Digo que uma trepada bem dada é mais marcante que uma noite de amor – até porque eu sei com quem estou fodendo, mas não sei quem eu amo.
— Um amor mal feito é considerado amor?
— Aos olhos fraternais ou românticos?
— Aos seus olhos castanhos, baixos e com olheiras.
— Amar é como o impressionismo: precisa ser visto de longe. De perto, é um emaranhado de tinta sem distinção.
— Vendo de perto, talvez seja paixão.
— Uma paixão mal vivida continua sendo paixão?
— Toda paixão é bem vivida, só que ela pode nos deixar em pedaços.
— Não preciso me apaixonar para acabar despedaçado; a vida já faz isso.
— E como chegamos a uma vida bem vivida?
— Transando, amando, se apaixonando e colando os pedaços?
— Aposto que seus pedaços estão perdidos entre paixões, amores e trepadas.
— Sobra algo de mim?
— Sobra um ser mal amado, cansado, entediado e sem saber o que faz da vida.
— E se a gente transar para dar sentido a isso tudo?
— Precisa ser um sexo bem feito, senão voltamos ao início do diálogo.
